Informação Online - Métodos de Intervenção


Método Borel-Maisonny


A Madame Borel-Maisonny desenvolveu ummétodo com o mesmo nome, que se centra na aprendizagem da leitura e da escrita,com base na identificação do som e da letra e que se apoia num alfabetogestual. Este método foi criado a pensar nas crianças disléxicas, mas graças àsua funcionalidade, o seu uso abrange também crianças com outros tipos dedificuldades de aprendizagem da leitura.

A cada letra associa-se, então, umgesto que a evoca (abordagem gestual) e um som que a representa (abordagemfonética). Deste modo, concentra-se a atenção da criança nos sons da linguagemverbal oral que a escrita produz (ou seja, nas consoantes e vogais) e,associando um gesto a cada letra, facilitam-se os processos de memorizaçãoinerentes a esta aprendizagem.

Os gestos utilizados são ajudas válidasà memorização devido ao facto de não exigirem uma motricidade fina e decorresponderem à forma da letra (como o gesto do V, por exemplo), representaremuma imagem articulatória (como o gesto do A – mostra-se a mão aberta, lembrandoa boca aberta) e/ou o seu movimento ilustrar a ideia de fluxo de ar queacompanha a produção do som (como o gesto do F).

Durante os exercícios devemassociar-se, sem uma ordem fixa, a grafia, o som e o gesto, para assimconseguir que a criança reconheça e evoque eficazmente a grafia ou o som.Note-se que deve começar-se pelo ensino das letras de imprensa maiúsculas, poisos gestos deste método foram criados com base nas analogias com este tipo deletra.

A autora sugere que as consoantes e asvogais sejam apresentadas à criança com cores diferentes (por exemplo, azulpara as consoantes e vermelho para as vogais). Numa fase inicial, deveevitar-se o ensino simultâneo de sons cuja grafia é semelhante (b, d, q, p) ecomeçar-se preferencialmente com consoantes que podem ser facilmenteprolongadas (m, j, v, s), para a criança ter mais tempo para discriminar o som.

Quando as letras já forem bemidentificadas, pode passar-se à segunda fase: as sílabas. O educador “parte aspalavras aos bocadinhos” e apresenta as sílabas enunciando-as e produzindo osrespectivos gestos (sempre da esquerda para a direita, como na escrita) e acriança representa-as graficamente.

É nesta altura que se chama a atençãoda criança para a existência dos casos de leitura – algumas excepções naleitura de certas letras em posições específicas na palavra.

Numa fase posterior, trabalha-se aleitura e compreensão de textos, tendo em conta que estas crianças têm um ritmode leitura demorado e, muitas vezes, acabam de ler uma frase/texto semperceberem o seu significado. Portanto, deve insistir-se na atribuição deentoação à leitura, no encadeamento de ideias e na procura de sentido domaterial lido.

Por fim, concentra-se a atenção dacriança para a escrita em si através da compreensão da forma do grafismo –escrita do grafismo no quadro, em grandes dimensões e exploração do mesmo com odedo/mão – e da sua reprodução por evocação, depois da letra ser apagada doquadro. Só depois da criança conseguir reproduzir os grafismos se acrescentamos pormenores de escrita, como os acentos, as cedilhas, as pontuações…

Importa referir que, ao contrário do que se possa pensar,os gestos não vão inibir nem limitar o desenvolvimento da fala propriamentedita; pelo contrário, eles potenciam o desenvolvimento linguístico e quandodeixam de ser necessários, são abandonados de forma progressiva e natural pelacriança.


Bibliografia:

Val do Rio, MariaLuísa. “A Criança Disléxica – suas dificuldades e reeducação no Ensino Básicopelo Método Borel-Maisonny”. Lisboa: Sem editora, 1991.

Sites de interesse:

http://membres.multimania.fr/isabellebreil/BorelMaisonny.htm- La methode Borel Maisonny

http://www.coquelicot.asso.fr/borel/index.php - Méthode phonétique et gestuelle de Suzanne Borel-Maisonny

http://.ac-reims.fr/ia51/ien.chalons2/spip.php?article468 - Méthode gestualle Borel Maisonny




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